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Febre: aliada ou inimiga?

A partir do início do século XX, a febre passou a ser considerada muito mais como inimiga do que aliada. 
Essa mudança coincidiu com a intensificação do uso da aspirina, cuja propriedade de combater a dor é, ao mesmo tempo, baixar a febre levou médicos e pacientes a associar a diminuição da dor à necessidade de reduzir a temperatura. A partir daí, numerosas drogas foram comercializadas e tiveram seu uso incentivado através de intensa propaganda.
Hoje, são comuns propagandas dispendiosas veiculadas pelo rádio e pela televisão que proclamam as qualidades de medicamentos que eliminam a febre e, com isso, restituem a saúde. No entanto, pesquisas levam a crer que, até certo ponto, a febre pode ser uma aliada.
Experimentos realizados com lagartos têm levado pesquisadores a interessantes conclusões a respeito da febre e suas funções. Os lagartos, como todos os répteis, têm seu corpo aquecido e resfriado de acordo com a temperatura do ambiente em que estão. Entre os vertebrados, essa característica é também encontrada nos anfíbios, ao contrário das aves e mamíferos, cuja temperatura interna do corpo independe da temperatura do ambiente.
            Partindo dessa característica dos lagartos, os pesquisadores fizeram inicialmente, um experimento para descobrir a que temperatura certa espécie de lagarto, iguana, tende a manter a temperatura do corpo. Colocaram esses lagartos numa caixa com uma das extremidades mantida a 50 °C e a outra a temperatura ambiente. Os lagartos se moveram de um micro clima a outro até que sua temperatura interna se estabilizou em torno de 38 °C, que os pesquisadores passaram a considerar como temperatura normal para esses lagartos. 
Tendo descoberto a temperatura normal dos iguanas, os pesquisadores procuraram verificar esses animais, à semelhança de muitos outros, desenvolvem febre em resposta a uma infecção.
Injetaram nos lagartos determinadas bactérias e observaram que eles permaneceram maior tempo na porção mais aquecida da caixa, até conseguirem uma elevação de 1 a 2 °C acima dos 38 °C.
            Na última etapa dos experimentos, infectaram 34 lagartos e os dividiram em dois lotes iguais. A um lote foi dado um medicamento que suprime a febre. Ambos os lotes foram então colocados num ambiente com várias temperaturas. Os lagartos que não tomaram medicamento procuram os locais mais aquecidos e ficaram com a temperatura acima do normal durante vários dias. Depois, procuraram locais mais frescos e voltaram a temperatura normal. Desse lote, apenas um morreu em conseqüência da infecção. Um lote que recebeu o medicamento supressor da febre, mais da metade morreu. 
Os pesquisadores reforçaram suas conclusões, mantendo lagartos doentes em uma série de incubadoras, cada qual a uma determinada temperatura. De novo constataram que os lagartos mantidos à temperatura febril sobreviveram, enquanto muitos dos que foram mantidos à temperatura normal (38 °C) ou um pouco abaixo morreram. A 34 °C, temperatura mais baixa, todos os lagartos morreram.
 Esses resultados indicam que a febre constitui uma defesa do organismo. O intrincado mecanismo de regulação da temperatura e da ação da febre como defesa mostra o grau de refinamento dos programas que regem o funcionamento dos organismos vivos, até os mínimos detalhes: tudo pode ser explicado a partir dos átomos, suas ligações e energias.


Um comentário:

  1. PLANTAS PARASITAS
    É comum ouvirmos falar de parasitas animais. Mas você sabia que uma planta também
    pode ser parasita? Pois é, pode sim... Mas não se preocupe porque elas se hospedam
    apenas em outras plantas, não causando nenhum mal para o homem.
    Existem diferentes ti pos de plantas parasitas, que recebem esse nome porque se fi -
    xam em outras plantas para obter substâncias que não conseguem sozinhas. Algumas
    plantas fazem fotossíntese, obtendo energia a parti r da luz do sol, mas são incapazes
    de reti rar água e sais minerais do solo para realizar esse processo.
    Um exemplo de planta parasita é a erva-de-passarinho, chamada assim pelo jeito
    curioso de suas sementes grudarem no bico das aves, quando elas se alimentam de
    seus frutos. Quando as aves se esfregam em galhos de outras plantas para limparem
    o bico, as sementes se espalham e brotam, dando origem a uma nova planta parasita.
    A semente grudenta é uma adaptação evoluti va muito importante para as plantas
    parasitas, pois, dessa forma, elas conseguem se espalhar e crescer, uma vez que suas
    sementes não germinam, se caírem no chão.
    Outro ti po de parasita é o cipó-chumbo, que é incapaz de realizar fotossíntese. Seus
    ramos lembram fi os de ovos, devido à ausência de folhas e de clorofi la, o que faz com
    que a planta seja amarela. Esse ti po de parasita é o que mais prejudica a planta parasitada,
    pois reti ra, para consumo próprio, os açúcares produzidos por ela, podendo
    até matá-la.
    Pesquisadores do Laboratório de Interação Animal-Planta da UFMG estudam a presença
    de plantas parasitas em diferentes regiões brasileiras e já perceberam que, em
    campos ferruginosos, mais da metade das plantas é parasitada. Essas pesquisas são
    realizadas não só para uma melhor compreensão das interações entre a parasita e a
    outra planta, mas também para um estudo sobre o papel ecológico das parasitas, já
    que, como todos os seres, elas também têm um lugar importante no ambiente.
    Caso você tenha plantas em casa e perceba que elas estão sendo prejudicadas por
    plantas parasitas, você mesmo pode fazer a reti rada manual das parasitas, para que elas não matem seu jardim.

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